quinta-feira, 17 de novembro de 2011

hoje.

Pensando sobre como a gente se apega a resquícios do passado, sejam eles bons ou ruins, no fim, os anos e os dias da semana são assim denominados justamente para relembrar acontecimentos e agendar outros. De certa forma muitas vezes ficamos presos a isso e, sinceramente, não sei até que ponto é saudável. Ontem foram dias alucinantes, amanhã eu posso nem voltar pra casa, mas a única coisa que existe mesmo é agora, eu sentada na frente do computador de maquiagem borrada escrevendo coisas que nem sei se alguém realmente vai ler.

com curiosidade, um bride ao agora! 

sábado, 5 de novembro de 2011

Espalhafato.

Quando tudo é novidade qualquer coisa banal soa como felicidade extrema e que, pasme: tu faz parte desse mundo, coisas acontecem na tua vida... até quando caem na rotina, boa e velha para alguns, desesperadora e nauseantes para outros - eu sou assim, pelo menos eu me sinto assim em relação a uma parte angustiada da minha cabeça, preciso estar em (in)constante movimento, vivendo coisas novas todo o tempo, odeio rotinas, odeio boa parte das mesmas coisas que me acontecem todos os dias. Tenho a sensação de estar em casa em qualquer lugar, classificado por mim, como bacana e confortável, detesto silêncio e uma quantidade de palavras também, gosto de sol, de noite, de pessoas, assim como odeio. Não me interessa o óbvio, sento no chão e no encosto do sofá, mas ainda tenho tenho meus clichês preferidos.

Me acho patética escrevendo isso e acho bonito também!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

da série: gostaria de ter escrito...



Eu nunca fui uma moça bem-comportada. Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços. Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.
 Não estou aqui pra que gostem de mim. Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho. E pra seduzir somente o que me acrescenta. Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra. A palavra é meu inferno e minha paz.

Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar…

Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.

Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades.

Eu tenho medo de altura, mas não evito meus abismos: são eles que me dão a dimensão do que sou.


(Marla de Queiroz)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Aniversários...

Há quem comemore, há quem torce para que demore a chegar, como se fosse só um pretexto para ficar mais velho e isso nem sempre é bom, ou bom demais.
Quando criança, esperamos ansiosamente pela data tão querida o ano todo, para comemorar com amiguinhos e aquele monte de refrigerante, doces e presentes ( ah, esses sim, os mais desejados) mas o tempo vai passando e chega o momento em que do fundo do coração só queremos que as pessoas lembrem, que te desejem aquelas coisas clichês e estejam contigo.

Passei alguns aniversários. bons, ruins, com refrigerante e doces, felizes e tristes.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Conversa de Rodoviária.

-Eaí? Tudo bem?

-Oi, tudo bem e contigo?

-To bem. Ta morando na vila ainda?

- Sim, não saio de lá tão cedo.
E como vai teu pai? Vi ele esses dias, parece outra pessoa

- Pois é, ele ta ótimo agora, uma preocupação a menos para a gente

- E teu irmão?

- Tá em Três Coroas, ta internado lá faz quase um ano.

- Para se recuperar tem que querer

- É, precisa partir da pessoa, se ela não quer não adianta.

- Mas tu lembra da Lia?

- Não

- Filha da Rita...

- Tá, sei sim.

- Pois é, morreu.

- Morreu? Como?

- Bala, polícia fez uma ronda e entraram em conflito com o grupo do Eduardo.

- Não brica.

- É, um rapaz de ouro, levou tiro também, mas já ta melhor.

- E a Lia morreu?

- É, pobre da Rita, perdeu a filha mais nova e agora a Lia

- A mais nova morreu também?

- Sim, leucemia. Há uns dois anos.

- Leucemia é boca braba.

- Nem fala, criei aquela menina praticamente.

- Que tristeza

- Um pecado.

- E o teu ônibus?

- Vai atrasar meia hora

- Hum. Vou indo então, bom viagem para a senhora.

- Obrigada.

domingo, 23 de outubro de 2011

A grade.


Sempre esteve lá, escura e sozinha. Nunca dei atenção a ela, mas sempre soube que existia.. uma vez foi o único obstáculo que separava nós dois (como estávamos próximos) que durante alguns minutos ficamos entre ela, a gente conversava e ficava em silêncio, eu chegva mais perto para que as pessoas pudessem passar e me aproximava ainda mais de ti, tu nem mesmo se movia, dali eu não queria sair, tua atenção era toda minha. bebemos, porém  fomos impedidos de conversar muitas vezes porque haviam outras ali, parecia que te disputavam. A grade continuava ali...

 - Outra vez testemunhou o abraço que te dei de feliz aniversário, o abraço me agradecendo por estar ali e daquele infindável, meu preferido.
Numa outra ocasião a grade nada testemunhou, ficamos o tempo todo do outro lado bebendo cerveja, conversando sobre aquele livro e sobre a fossa em que estavas. 

 - Fiz companhia para ela da última vez,  tu não estavas lá.. 
.   

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Que desculpa você dá?

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!
(Florbela Espanca)